Carta de apresentação: como escrevê-la para que seja lida

A carta não repete o CV: explica porquê tu e porquê esta empresa, em menos de uma página. Aqui tens a estrutura, os conselhos que mais pesam, um exemplo completo e uma lista para a rever antes de a enviar.

Quando é precisa e quando não

Se a oferta a pede, vai sempre: não a enviar é não seguir uma instrução. Se não a pede, ajuda quando há algo que o CV não conta sozinho: uma mudança de setor ou de país, uma pausa na carreira, um requisito que só cumpres em parte ou uma ligação concreta com a empresa.

Quando ninguém a pede e o CV já responde à oferta, uma carta genérica não acrescenta nada. Mais vale usar esse tempo para adaptar o CV.

A estrutura em quatro parágrafos

Uma carta que se lê num minuto tem uma ordem fixa. Cada parágrafo responde a uma só pergunta:

  • Abertura: a que função te candidatas e, numa frase, porque encaixas.
  • Porquê tu: duas conquistas da tua experiência ligadas ao que a oferta pede, com números se os tiveres.
  • Porquê esta empresa: algo concreto sobre ela (um produto, um mercado, um projeto) e o que trarias para lá.
  • Fecho: disponibilidade para conversar, sem implorar nem repetir o que já disseste.

Os conselhos que mais pesam

  • Dirige-a a uma pessoa se souberes quem recruta. Se não, à equipa da área, não «a quem possa interessar».
  • Entre 200 e 350 palavras. Se passar de uma página, metade está a mais.
  • Usa as palavras da oferta para o que fizeste de verdade, tal como no CV.
  • Conta o que o CV só enumera: o contexto e o resultado de uma conquista, não a lista de tarefas.
  • Ajusta o tom ao setor: mais formal na banca ou na administração pública, mais direto na tecnologia ou nas startups.
  • Confirma o nome da empresa e da função. Uma carta com o nome de outra empresa é descartada logo.
  • Envia-a em PDF, com o mesmo design e a mesma letra do CV.

Um exemplo completo

Pessoa de exemplo, inventada. A oferta: responsável de marketing digital numa loja online de desporto.

Olá, equipa de Marketing da Trilho Desporto,

Escrevo-vos a propósito da função de responsável de marketing digital. Há seis anos que giro campanhas pagas para lojas online, os dois últimos com orçamento próprio.

Na minha função atual reorganizei as campanhas de Google Ads e Meta por categoria de produto e baixámos o custo por venda em 22% num ano. Também montei o painel em GA4 que hoje toda a equipa comercial usa para decidir o que promover em cada semana.

Acompanho a Trilho Desporto desde que lançaram a linha de montanha. A vossa oferta fala em crescer em Espanha, um mercado que lancei para a minha empresa atual: conheço os custos, as épocas e o que lá não funciona.

Teria todo o gosto em contar-vos como o faria convosco. Obrigada pela atenção.

Ana Exemplo

Erros que a tornam contraproducente

  • Repetir o CV em prosa, função a função.
  • Falar do que a empresa te pode dar e não do que tu podes trazer.
  • Adjetivos sem factos: «proativa, dinâmica, com espírito de equipa».
  • A mesma carta para todas as ofertas, só com o nome da empresa trocado.
  • Inventar ou inflacionar uma conquista: na entrevista nota-se e deita abaixo tudo o resto.

Com inteligência artificial, sem inventar

Uma ferramenta de IA pode organizar a carta e adaptá-la a cada oferta, mas só com o que fizeste de verdade. Se a carta menciona uma conquista, um número ou uma ferramenta que não está na tua experiência, é um risco com o teu nome.

Perguntas frequentes

Qual deve ser o tamanho de uma carta de apresentação?

Menos de uma página: entre 200 e 350 palavras, em quatro parágrafos. Quem recruta lê-a num minuto ou não a lê.

O que pôr numa carta de apresentação?

A função a que te candidatas, duas conquistas reais ligadas ao que a oferta pede, porquê aquela empresa em concreto e um fecho curto. O que o CV já diz não se repete.

Devo enviar carta se a oferta não a pedir?

Não é preciso. Ajuda quando há algo que o CV não explica sozinho, como uma mudança de setor ou um requisito que só cumpres em parte.

A quem a dirijo se não souber o nome?

À equipa da área (por exemplo, «Olá, equipa de Marketing») ou a quem assina a oferta, se aparecer. Evita «A quem possa interessar».

Posso usar a mesma carta para várias ofertas?

A estrutura sim, o conteúdo não. Os parágrafos sobre porquê tu e porquê esta empresa mudam em cada oferta.