CV e ATS

CV Europass: quando usá-lo e quando é melhor um CV teu

O CV Europass serve quando uma candidatura europeia o pede ou quando te candidatas num país europeu cujo formato não conheces. Para uma empresa privada, um CV teu, mais curto e adaptado à oferta, costuma funcionar melhor.

Equipa CernoriaAtualizado a 29 de outubro de 202610 min de leitura

O essencial

  • O CV Europass é o modelo de currículo gratuito da União Europeia: cria-se online a partir de um perfil pessoal e descarrega-se na língua que escolheres.
  • Compensa usá-lo quando a candidatura o pede (bolsas, estágios, universidades, organismos públicos europeus) ou quando não conheces o formato do país onde te candidatas.
  • Prejudica-te junto de empresas privadas que esperam um CV próprio: o layout padrão ocupa mais páginas e deixa menos espaço para o que a oferta pede.
  • Nenhum formato substitui adaptar o conteúdo: um CV Europass genérico rende tão mal como qualquer outro CV não adaptado.

O que é o CV Europass

O CV Europass é o modelo de currículo da União Europeia. Faz parte do Europass, um conjunto de ferramentas online regulado hoje pela Decisão (UE) 2018/646 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de abril de 2018, que substituiu a de 2004. Crias o CV a partir de um perfil pessoal no site oficial: introduzes uma única vez a tua experiência, formação e línguas e, a partir daí, geras os currículos de que precisares.

É gratuito. As perguntas frequentes do site esclarecem que é um serviço da Comissão Europeia, que não se compra nenhum CV e que nunca te vão pedir dados bancários. Segundo a página do editor, é possível criar, guardar e partilhar CV em 31 línguas e escolher entre vários modelos. Como visitante podes criá-lo e descarregá-lo, mas só com conta fica guardado na tua biblioteca.

A fama do formato vem da escala: o Cedefop, a agência europeia para a formação profissional, contou 100 milhões de CV Europass criados online entre fevereiro de 2005 e julho de 2017.

100 milhões

de CV Europass foram criados online entre fevereiro de 2005 e julho de 2017, segundo o Cedefop.

Fonte: Cedefop, Europass passes 100 million CV milestone, 2017
28 anos

era a idade média de quem criou o CV Europass entre junho e setembro de 2019, numa amostra de 353 518 CV analisada pelo Cedefop. 75 % tinham menos de 32 anos.

Fonte: Cedefop, Europass CV Insights Report, junho a setembro de 2019
31 línguas

em que o editor oficial permite criar, guardar e partilhar o CV, segundo o site Europass.

Fonte: Europass (Comissão Europeia), Create your Europass CV

Quem usa de facto o CV Europass

O relatório do Cedefop de 2019 mostra quem o preenche. As cinco nacionalidades mais frequentes eram a italiana, a portuguesa, a romena, a espanhola e a grega, e a maioria vivia em Itália. A profissão mais indicada no título era empregado de mesa ou barman. Cerca de 12 % não declaravam qualquer experiência profissional.

Para quem procura emprego em Portugal, isto diz duas coisas. O formato é muito conhecido e ninguém estranha recebê-lo. Mas também está associado a perfis jovens e a primeiros empregos. Usá-lo não te faz parecer mais preparado: faz-te parecer alguém que escolheu o modelo padrão. Por isso compensa decidir candidatura a candidatura.

O que declaravam os CV Europass da amostra do Cedefop (353 518 CV, junho a setembro de 2019)
  • Inglês entre as línguas85%
  • Licenciatura (nível 6 do QEQ)32%
  • Mais de cinco experiências23%
  • Mestrado (nível 7 do QEQ)15%
  • Sem experiência profissional12%
  • Certificados de informática7%
Fonte: Cedefop, Europass CV Insights Report, junho a setembro de 2019

CV Europass: quando serve e quando compensa outro formato

A pergunta útil não é se o Europass é bom ou mau, mas se nesta candidatura ajuda ou prejudica. Esta é a tabela que usamos na Cernoria para decidir. Começa sempre pela primeira linha: se o pedem, não há nada a pensar.

Europass ou CV próprio, consoante a situação
SituaçãoO que compensaPorquê
A candidatura pede expressamente o CV Europass ou «modelo europeu»EuropassÉ um requisito: outro formato pode ficar de fora sem ser lido
Bolsa, estágio ou programa de mobilidade de uma instituição europeiaEuropass, salvo indicação em contrárioOs júris comparam muitos perfis e esperam essa estrutura
Empresa privada em Espanha ou ItáliaCV próprio de uma ou duas páginasO Europass é conhecido, mas um CV adaptado mostra mais cedo o que a oferta pede
Empresa na Alemanha ou na ÁustriaCV no formato do paísOs serviços oficiais desses países aconselham adaptá-lo ou usá-lo só como guia
País europeu cujo formato não conhecesEuropass como base, depois encurtadoOrganiza a informação de forma compreensível em toda a Europa
Empresa privada em PortugalCV próprioUm CV adaptado mostra logo o que a oferta pede, e a extensão do Europass joga contra
Função criativa ou de designCV próprioO layout padrão não deixa mostrar sentido visual
Muitos anos de experiênciaCV próprioAs grelhas do Europass alongam o CV precisamente onde é preciso escolher
É o critério da Cernoria. Em caso de dúvida, decide o que diz a candidatura.

Onde o Europass te prejudica

Os serviços públicos de emprego europeus dizem-no com clareza. O Make it in Germany, portal oficial do governo alemão, explica que as empresas alemãs costumam preferir um layout individual e sugere usar o Europass como orientação e depois personalizá-lo. O serviço público de emprego da Áustria (AMS) escreve que é necessário sobretudo para te candidatares noutro país europeu, que as suas grelhas e tabelas o podem tornar bastante longo e que, em profissões criativas, limita o design.

Na prática, há três problemas. A extensão: secções fixas com títulos e caixas fazem com que um CV que caberia numa página ocupe duas ou três. A hierarquia: o modelo dá o mesmo peso a tudo, quando o que importa é que os requisitos da oferta apareçam em cima. E a semelhança: se todos os candidatos usam o mesmo design, o teu só se distingue pelo que diz.

Em Portugal e quando te candidatas lá fora

Em Portugal o Europass é muito conhecido. O folheto para quem procura emprego, produzido pelos Centros Nacionais Europass de Portugal, Espanha, França e Grécia, apresenta-o como uma ferramenta pessoal e gratuita e afirma que o CV Europass é o modelo mais pedido pelas empresas e outras instituições. É a posição de quem o promove; a nossa experiência é que se pede muito em bolsas, estágios, universidades e organismos públicos, e bastante menos nas empresas privadas.

Se te candidatas fora de Portugal, o Europass é um bom ponto de partida quando não conheces o país e uma boa escolha quando a candidatura o pede. Para uma empresa privada, compensa adaptar o CV aos hábitos do país. Ao lado de cada grau académico, indica o nível e a duração, para que a tua licenciatura ou mestrado se perceba lá fora.

Como fazer um bom CV Europass em cinco passos

Se a candidatura o pede ou decidiste usá-lo, estes passos evitam os erros mais comuns do editor.

  1. Cria o perfil com conta

    Regista-te no site oficial e introduz a tua experiência e formação no perfil. Como visitante só podes descarregar o CV; com conta fica guardado e podes manter várias versões.

  2. Escolhe a língua da candidatura

    Escreve o CV na língua em que a oferta foi publicada. Se não a dominas, um CV correto em inglês, se for aceite, é melhor do que um com erros na língua local.

  3. Preenche só o que acrescenta

    Deixa vazias as secções que não se aplicam e apaga-as antes de descarregar. Cada secção de enchimento alonga o CV sem dizer nada.

  4. Escreve conquistas, não tarefas

    Por baixo de cada função, duas ou três linhas sobre o que mudaste e como se notou. O formato é igual para todos; o que te distingue é o que escreves.

  5. Descarrega-o e verifica a extensão

    Vê o PDF antes de o enviares. Se passar das duas páginas, corta formações menores, funções antigas e dados que ninguém pediu.

O critério da Cernoria: o formato não substitui adaptar

O debate sobre o Europass costuma esconder o que decide de facto uma candidatura: se quem lê encontra em segundos o que procura. Um Europass completo mas genérico perde para um CV de uma página que responde à oferta, e um CV próprio genérico perde da mesma forma. O formato decide como a informação se organiza; adaptar decide o que fica em cima.

Por isso não fazemos CV no formato Europass. O que fazemos é partir do teu perfil completo, como faz o Europass, e escolher para cada oferta o que mostrar primeiro.

Na equipa da Cernoria resumimos assim: o Europass é um bom formulário e um mau argumento. Usa-o quando to pedem; quando não, ganha o CV que responde a essa oferta.

Uma reflexão da equipa Cernoria

Um exemplo do princípio ao fim: duas candidaturas, dois formatos

Um caso inventado para ver a tabela aplicada. A Marta Exemplo é engenheira de gestão no Porto, com seis anos de experiência em logística. No mesmo mês prepara duas candidaturas.

Exemplo
As duas decisões da Marta Exemplo

Candidatura 1: um estágio numa agência europeia pede «CV no formato Europass, em inglês». Primeira linha da tabela: é um requisito. Cria o Europass a partir do perfil, apaga as secções vazias e mantém-no em duas páginas.

Candidatura 2: uma empresa de distribuição de Braga procura uma analista de cadeia de abastecimento. Ninguém pede Europass: sexta linha, CV próprio. Escreve-o em duas páginas, com o título da oferta em cima e três conquistas sobre stocks e transportes na função atual.

Nos dois casos usa a mesma informação, o perfil completo. Mudam a ordem, a extensão e o que vem primeiro. Cada versão fica registada na sua lista de candidaturas, caso lhe liguem.

A verificação antes de enviar

Antes de enviares qualquer um dos formatos, responde a estas perguntas.

  • A candidatura pede um formato? Se pede, estás a usá-lo?
  • Está na língua em que a oferta foi publicada?
  • Tem no máximo duas páginas, salvo indicação em contrário?
  • A primeira coisa que se lê responde ao que a oferta pede?
  • Apagaste as secções vazias e os dados que ninguém pediu?
  • Os teus graus indicam o nível e a duração, para se perceberem lá fora?

Perguntas frequentes

O que é o CV Europass?

É o modelo de currículo gratuito da União Europeia, criado online no site oficial do Europass a partir de um perfil pessoal. Descarrega-se na língua que escolheres e apresenta a formação e a experiência com uma estrutura compreensível em toda a Europa.

O CV Europass é obrigatório?

Não, a não ser que a candidatura o peça. As empresas privadas aceitam CV próprios e muitas preferem-nos; é exigido sobretudo em bolsas, estágios, universidades e alguns organismos públicos. Lê sempre os requisitos.

O CV Europass é gratuito?

Sim, é um serviço gratuito da Comissão Europeia. Segundo as suas perguntas frequentes, não se compra nenhum CV e nunca te vão pedir dados bancários; se um site te cobrar por um «CV Europass», não é o oficial.

O CV Europass leva fotografia?

Depende do país, não do formato. O Make it in Germany explica que na Alemanha é frequente esperarem uma fotografia, com grandes diferenças entre setores; noutros países os hábitos variam. Se a candidatura não diz nada, segue o costume do país.

Compensa usar o CV Europass numa empresa privada em Portugal?

Raramente é a melhor escolha. Para uma empresa privada funciona melhor um CV próprio de uma ou duas páginas, adaptado à oferta, com o que é pedido logo em cima; o Europass é mais longo e igual para todos.

Fontes

  1. Europass (Comissão Europeia), Create your Europass CV
  2. Europass (Comissão Europeia), perguntas frequentes
  3. Cedefop, Europass passes 100 million CV milestone, 2017
  4. Cedefop, Europass CV Insights Report, junho a setembro de 2019
  5. Make it in Germany (Governo federal alemão), Bewerbung
  6. AMS, serviço público de emprego da Áustria, Europass Lebenslauf
  7. Centros Nacionais Europass de Portugal, Espanha, França e Grécia, folheto para quem procura emprego
  8. Decisão (UE) 2018/646 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de abril de 2018 (Europass), EUR-Lex

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