O essencial
- Um CV em inglês para trabalhar no estrangeiro não é um só: nos EUA chama-se résumé e tem uma ou duas páginas, e no Reino Unido chama-se CV e não leva idade nem nacionalidade.
- Um CV para trabalhar no estrangeiro faz-se com as regras do país de destino: manda o anúncio, não o hábito de casa.
- Nos Estados Unidos e no Reino Unido não entram nem a fotografia nem a idade; na Alemanha a fotografia é habitual e o CV assina-se e data-se.
- Traduzir o CV não é só mudar de língua: é preciso explicar empresas, cargos e cursos que quem lê não conhece.
- Sobre o reconhecimento do teu curso informam serviços oficiais como a rede ENIC-NARIC; no CV basta nomeá-lo com clareza.
CV em inglês: o résumé dos Estados Unidos e o CV do Reino Unido
Muitas ofertas lá fora, incluindo as de empresas alemãs, irlandesas ou neerlandesas, pedem o CV em inglês, e é aí que surge a primeira dúvida: não há um só CV em inglês. Nos Estados Unidos o documento chama-se résumé. O guia do Pomona College para estudantes internacionais explica-o assim: aquilo que conheces como CV, lá é o résumé, e tem no máximo uma ou duas páginas. No Reino Unido continua a chamar-se CV.
Também mudam os dados pessoais. Para os Estados Unidos, o Pomona College diz para não pôr fotografia, idade ou data de nascimento, estado civil, raça, religião nem situação migratória. Para o Reino Unido, o National Careers Service, o serviço público de orientação profissional, diz que não entram a idade, a data de nascimento, o estado civil nem a nacionalidade, e que entram o nome, o telefone, o e-mail e a ligação ao teu perfil profissional.
O que não muda é a forma de traduzir: o cargo diz-se como se chamaria lá o mesmo trabalho, o curso leva o nome oficial e a duração, e a empresa que ninguém conhece fora de Portugal explica-se em meia linha. O nosso critério: escolhe uma só variante do inglês, britânica ou americana, conforme o destino, e não as mistures.
Se te candidatas em inglês a outro país da União Europeia, o Europass é uma ferramenta gratuita da Comissão Europeia para guardar a tua experiência e criar várias versões do CV. É uma ajuda, não uma obrigação: envia o que a oferta pede. E antes de enviar seja o que for, consulta a fonte oficial do destino: EURES para a UE, Make it in Germany para a Alemanha e o National Careers Service para o Reino Unido.
| O que muda | Reino Unido | Estados Unidos |
|---|---|---|
| Como se chama | CV | Résumé (Pomona College) |
| Tamanho | Claro e fácil de ler; o guia oficial não fixa páginas (National Careers Service) | Uma ou duas páginas no máximo (Pomona College) |
| Fotografia | O guia oficial não a menciona | Não entra (Pomona College) |
| Dados que não entram | Idade, data de nascimento, estado civil e nacionalidade (National Careers Service) | Idade ou data de nascimento, estado civil, raça, religião e situação migratória (Pomona College) |
| Ordem | Contactos, apresentação, formação e experiência; com muita experiência, a experiência vem antes (National Careers Service) | O guia citado não fixa uma ordem |
| Fonte oficial | National Careers Service (Governo do Reino Unido) | Não há um formato oficial; seguimos o guia de uma universidade |
CV para trabalhar no estrangeiro: quem decide é o país da oferta
O erro mais comum de quem se candidata lá fora é enviar o mesmo CV que funciona em Portugal. Não está mal escrito; está escrito para outra pessoa. Quem o lê em Madrid, em Berlim ou em Austin tem outros costumes, outras leis sobre o que pode perguntar e, sobretudo, não conhece as tuas empresas, a tua faculdade nem o nome que o teu cargo tinha cá.
A nossa regra é simples: o CV segue os costumes do país onde está o emprego. Se vives no Porto e te candidatas a uma empresa de Hamburgo, o teu CV é alemão, mesmo que nunca tenhas vivido na Alemanha. Se a oferta é de uma empresa estrangeira mas em teletrabalho a partir de Portugal, vê em que língua está o anúncio e quem vai decidir: isso diz-te que costumes contam.
Mudar de país para trabalhar não é raro. Segundo o instituto de estatística alemão, em 2025 cerca de 7,3 milhões de cidadãos da UE trabalhavam noutro país da UE, e a Alemanha era o destino que mais recebia.
Sobre a fotografia, as colunas e o design já escrevemos o nosso guia de formato do CV, e sobre o tamanho, o guia de quantas páginas deve ter. Este guia trata do que não se vê à primeira vista: o que muda quando o CV atravessa uma fronteira.
O que muda conforme o país de destino
Esta tabela junta o que dizem os serviços públicos de emprego e os guias oficiais ou universitários de cada destino sobre o documento e os dados pessoais. Não é uma lista de gostos: cada linha vem de uma fonte indicada no fim. Onde uma fonte não diz nada, a tabela não acrescenta nada.
As maiores diferenças não estão no design mas nos dados pessoais. O que num país é um dado de cortesia é, noutro, uma informação que quem recruta prefere não ver, porque não deve pesar na decisão.
| Destino | O documento | Fotografia | Dados pessoais | O que costuma surpreender |
|---|---|---|---|---|
| Espanha | Um CV, com vários modelos possíveis, adaptado a cada oferta (EURES) | Não é imprescindível; em alguns cargos pode convir (EURES) | Contactos e o que o cargo exige | A carta e o CV vão em espanhol, salvo indicação em contrário (EURES) |
| Alemanha | Lebenslauf em forma de tabela, do mais recente para o mais antigo (EURES) | Habitual, mas depende do setor (Make it in Germany) | Nome, morada e contactos (Make it in Germany) | O CV assina-se e data-se (EURES) |
| Estados Unidos | Um résumé de uma ou duas páginas no máximo (Pomona College) | Não entra (Pomona College) | Nem idade nem data de nascimento, estado civil, religião ou situação de visto (Pomona College) | A situação de visto também não entra no résumé |
| Reino Unido | Um CV claro e direto (National Careers Service) | Ver o nosso guia de formato | Nem idade, nem data de nascimento, nem estado civil, nem nacionalidade (National Careers Service) | A nacionalidade, que noutros países se põe sem pensar, não entra |
| Argentina | Um CV de até duas páginas (guia oficial) | Opcional; se entrar, tipo passe e formal (guia oficial) | O guia oficial inclui documento de identificação, data de nascimento e estado civil | Os dados da tua família não entram (guia oficial) |
Traduzir o CV não é só mudar de língua
Quando o CV muda de língua, a tentação é traduzir palavra a palavra. Percebe-se, mas não se lê como um CV daquele país. Uma recrutadora alemã não sabe o que vale um «mestrado integrado», nem se «responsável de área» numa empresa de Braga queria dizer liderar uma equipa ou era só um título.
O que se traduz é o sentido. O cargo leva o nome que lá se usa para o mesmo trabalho, com o original entre parênteses se ajudar. A empresa explica-se em meia linha: setor, dimensão e país. Os números das tuas conquistas vão em percentagem ou numa moeda que lá se entenda, indicando que é uma conversão.
| O que tens | O problema lá fora | Como escrever |
|---|---|---|
| Um cargo com nome local | Não diz o que fazias nem quantas pessoas chefiavas | O nome equivalente no país de destino e uma linha sobre o âmbito |
| Uma empresa conhecida só em Portugal | Para quem lê é só mais um nome | Setor, dimensão e país em meia linha: «distribuição alimentar, 300 trabalhadores, Portugal» |
| Um curso superior | A duração e o nível não se leem da mesma forma em todo o lado | O nome oficial, a duração em anos, os créditos ECTS e a equivalência, se a tiveres |
| Resultados em euros fora da zona euro | Quem lê em libras ou dólares não faz a conversão | Percentagens, volumes ou a moeda do destino, indicando que é uma conversão |
| Uma média final | As escalas mudam de país para país | Só se a pedirem, com a escala ao lado: «16 em 20» |
| Telemóvel e morada | Um número sem indicativo não se marca a partir do estrangeiro | +351 e o número, cidade e país; a morada completa raramente faz falta |
O teu curso e a tua experiência: como se leem lá fora
O reconhecimento de um grau estrangeiro é um processo oficial que depende de cada país e de cada profissão. Para te orientares existe a rede ENIC-NARIC: centros nacionais de informação sobre reconhecimento de graus, hoje presentes em 56 países. Na Alemanha, o portal oficial «Anerkennung in Deutschland» tem uma ferramenta que indica se o reconhecimento é possível e se é necessário para a tua profissão.
Para o CV, o importante é que o curso se perceba: nome oficial, instituição, país e anos de estudo. Se já tens o reconhecimento ou uma equivalência, di-lo na mesma linha, porque poupa uma dúvida a quem lê. Se não tens, não é preciso explicá-lo no CV: é assunto para quando a empresa perguntar.
Com os certificados passa-se algo parecido. A EURES diz que em Espanha normalmente não se juntam cópias de diplomas ao CV, salvo se o anúncio as pedir. Na Alemanha, pelo contrário, a candidatura costuma levar cópias de diplomas e certificados, e o Make it in Germany recomenda traduzi-los para alemão ou inglês com tempo, para não perderes o prazo.
A carta e o que acompanha o CV
Nalguns países o CV viaja sozinho; noutros, vai acompanhado. Na Alemanha, segundo a EURES, uma candidatura escrita leva uma carta de não mais de uma página A4, o CV com fotografia e cópias de diplomas e certificados, e se for por email, convém um único PDF de até 2 MB. O Make it in Germany acrescenta as referências de empregadores anteriores, se as tiveres.
Em Espanha, a EURES pede uma carta concisa e formal, adaptada a cada oferta e não genérica. Para os outros destinos, o nosso critério é simples: se o anúncio pede carta, vai uma escrita para essa empresa; se não pede, umas poucas linhas a explicar porque te candidatas a esse país respondem à pergunta que faz quem lê um CV estrangeiro.
Na equipa da Cernoria vemos assim: um CV estrangeiro não é posto de lado por vir de fora, é posto de lado quando obriga quem lê a adivinhar. Cada linha que explicas, uma empresa, um curso, um cargo, é uma dúvida a menos entre o teu CV e uma entrevista.
Contactos, localização e disponibilidade
Quem recruta lá fora faz três perguntas antes de ler a tua experiência: onde estás, quando poderias começar e se te pode ligar sem complicações. Responder-lhes no topo, na linha de contactos, muda a forma como se lê o resto.
Indica a cidade e o país onde estás hoje e, se te vais mudar, a data prevista ou a tua disponibilidade. O telemóvel vai com o indicativo internacional, com um email que vês todos os dias. Para os Estados Unidos, o guia do Pomona College é claro: a situação de visto não entra no résumé. Se te perguntarem, responde-se durante o processo, não no documento.
- Cidade e país atuais, e a data prevista da mudança se já a tiveres.
- Telemóvel com +351 e um email pessoal.
- Línguas com um nível que se entenda lá fora, por exemplo pelo Quadro Europeu Comum (B2, C1).
- A ligação para o teu perfil profissional, se estiver na língua do anúncio.
O critério da Cernoria: uma versão base e uma por país
Não é preciso escrever um CV novo para cada país. O que funciona é ter uma versão base completa, com todos os cargos, conquistas e estudos bem explicados, e tirar dela uma versão por destino: a língua, os dados pessoais que entram ou não, a fotografia onde é habitual e a ordem das conquistas de acordo com o anúncio.
O que nunca muda entre versões são os factos: cargos, empresas, datas e números. Mudam as palavras com que se nomeiam e o que se explica. Se um facto tiver de mudar para que o CV encaixe num país, o problema não é o país.
Um exemplo do princípio ao fim: o mesmo CV para Berlim e para Austin
Um caso inventado para ver as decisões na prática. Marta Exemplo é engenheira de dados em Braga, há sete anos na Mercearias do Minho, uma cadeia que ninguém conhece fora do Norte. Esta semana candidata-se a duas ofertas em inglês: uma empresa de logística em Berlim e uma tecnológica em Austin.
- Parte da versão base
A Marta tem um CV completo em português com todos os cargos e conquistas. Daí tira as duas versões, sem mexer em datas nem números.
- Explica o que não se conhece
Por baixo da Mercearias do Minho acrescenta «cadeia de supermercados, 4.000 trabalhadores, Portugal». O mestrado integrado vai com a duração: cinco anos, 300 créditos ECTS.
- Ajusta os dados pessoais
Para Austin tira a fotografia, a data de nascimento e o estado civil. Para Berlim acrescenta uma fotografia profissional, como é habitual lá, e assina e data o CV.
- Prepara o que acompanha
Para Berlim escreve uma carta de uma página A4 e junta o diploma traduzido para inglês num só PDF. Para Austin, só o résumé de duas páginas, porque o anúncio não pede carta.
Berlim: «Marta Exemplo · Data Engineer · Braga, Portugal (disponível para me mudar a partir de março) · +351 910 000 000 · fotografia profissional no canto superior direito». No fim: «Braga, 1 de novembro de 2026» e a assinatura.
Austin: «Marta Exemplo · Data Engineer · Braga, Portugal · +351 910 000 000». Sem fotografia, sem data de nascimento nem estado civil e sem referir a situação de visto.
Nas duas: «Data Engineer, Mercearias do Minho (cadeia de supermercados, 4.000 trabalhadores, Portugal), de 2021 até hoje. Reduzi em 40 % o tempo de carregamento do relatório diário de vendas ao migrar os processos para a cloud».
O que não mudou em nenhuma versão: o cargo, a empresa, as datas e os 40 %.
A revisão antes de o enviar para fora
Antes de enviar, lê o teu CV como se fosses alguém desse país que não te conhece nem conhece as tuas empresas. Se alguma resposta for «não», essa linha corrige-se.
- Está na língua do anúncio, com os cargos nomeados como lá se nomeiam?
- Cada empresa pouco conhecida tem a sua meia linha de setor, dimensão e país?
- Os dados pessoais são os que se esperam nesse país, e nem um a mais?
- Os números estão em percentagem ou numa moeda que lá se entenda?
- O telemóvel tem o indicativo, e o CV diz onde estás e quando podes começar?
- Vai o que esse país espera junto do CV, como a carta ou as cópias dos diplomas?
Perguntas frequentes
Como se faz um CV em inglês para trabalhar no estrangeiro?
Um CV em inglês segue as regras do país da oferta: nos Estados Unidos, um résumé de uma ou duas páginas sem fotografia nem idade; no Reino Unido, um CV sem idade, estado civil nem nacionalidade. Cargos e cursos dizem-se como lá, não palavra a palavra.
Como fazer um CV para trabalhar no estrangeiro?
Parte de um CV completo e adapta-o aos costumes do país da oferta: a língua, os dados pessoais que entram, a fotografia onde é habitual e o que acompanha o CV. Explica empresas, cargos e cursos que lá não se conhecem.
Tenho de pôr fotografia num CV para outro país?
Depende do destino. Nos Estados Unidos e no Reino Unido não entra; na Alemanha é habitual, conforme o setor, e em Espanha não é imprescindível. Se o anúncio pedir fotografia ou pedir que não a ponhas, faz o que pede.
Em que língua envio o CV se o anúncio estiver em inglês?
Na língua em que o anúncio está escrito, salvo indicação em contrário. Um anúncio em inglês de uma empresa alemã responde-se em inglês; se também falas alemão, indica-o nas línguas com o teu nível.
É preciso reconhecer o curso para me candidatar a um emprego no estrangeiro?
Nem sempre: depende do país e de a tua profissão ser regulada lá. Os centros ENIC-NARIC e portais oficiais como o «Anerkennung in Deutschland» explicam se é necessário e como funciona o processo.
Ponho a nacionalidade no CV para trabalhar no estrangeiro?
No Reino Unido e nos Estados Unidos não se põe, nem a situação de visto. Noutros países não é um dado que se espere no CV: se a empresa precisar de o saber, vai perguntar-te durante o processo.
Fontes
- EURES (Comissão Europeia), Condições de vida e de trabalho: Espanha
- EURES (Comissão Europeia), Condições de vida e de trabalho: Alemanha
- Make it in Germany (Governo federal alemão), Application
- Pomona College, Career Development Office, U.S. Résumé Tips for International Students
- National Careers Service (Reino Unido), CV sections
- Destatis (Serviço Federal de Estatística alemão), Labour mobility in the EU, 2026
- Ministério espanhol da Ciência, Inovação e Universidades, rede ENIC-NARIC
- Anerkennung in Deutschland, portal oficial do Governo federal alemão sobre o reconhecimento de qualificações estrangeiras
- Argentina.gob.ar, El camino hacia tu próximo empleo (guia oficial de procura de emprego)
- EURES (Comissão Europeia), Cria o teu CV Europass
- Europass (Comissão Europeia), ferramenta gratuita para aprender e trabalhar na Europa

O que é um ATS e como passar o filtro sem truques (2026)
Como fazer uma carta de apresentação e quando faz diferença (2026)
Como adaptar o CV a cada oferta sem inventar nada