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Perfil do LinkedIn para recrutadores: o que veem e como te encontram

Um recrutador raramente chega ao teu perfil por acaso: encontra-o com filtros e decide em poucos segundos. São dois momentos diferentes, e preparam-se em separado.

Equipa CernoriaAtualizado a 13 de outubro de 202610 min de leitura

O essencial

  • Para apareceres, contam os campos que o recrutador filtra: cargo, localização, competências e o sinal Open to Work. Para convenceres, contam o título e as primeiras linhas da secção Acerca.
  • O título deve dizer a função que procuras com as palavras do mercado, mais o que fazes e uma prova concreta.
  • Podes esclarecer o nome do teu cargo com o equivalente do setor, mas nunca subir de nível.
  • O Open to Work em modo «Apenas recrutadores» não aparece no teu perfil, embora o LinkedIn não garanta que os recrutadores da tua própria empresa não o vejam.
  • Um perfil completo e coerente com o CV rende mais do que publicar todas as semanas a partir de um perfil que não aparece nas pesquisas.

Dois momentos: ser encontrado e ser escolhido

A maioria dos conselhos sobre o LinkedIn mistura duas coisas que funcionam de forma diferente. A primeira é aparecer numa pesquisa: um recrutador escreve um cargo, escolhe uma cidade e um par de competências, e o LinkedIn devolve-lhe uma lista. A segunda é o que acontece a seguir, quando essa pessoa abre o teu perfil e decide em segundos se te escreve ou passa ao seguinte.

Para o primeiro momento contam os campos estruturados. Para o segundo, a forma como está escrito o que se vê sem clicar. Um perfil pode ser excelente num e falhar no outro: muito bem escrito mas com um cargo que ninguém pesquisa, ou cheio de palavras-chave e impossível de ler. Os números publicados pelo próprio LinkedIn mostram porque é que o primeiro momento não se pode descuidar.

Mais de 40

filtros avançados no LinkedIn Recruiter, entre eles cargo, localização e competências

Fonte: LinkedIn Talent Solutions, funcionalidades do LinkedIn Recruiter
2 vezes

mais probabilidade de receber uma mensagem de um recrutador ao ativar o Open to Work, segundo o LinkedIn (2020)

Fonte: LinkedIn, «The benefits of sharing with your community you're open to work» (2020)
87 %

dos recrutadores consideram as competências um fator crítico para avaliar candidaturas (inquérito para o LinkedIn, 2020)

Fonte: LinkedIn, «The benefits of sharing with your community you're open to work» (2020)

Como pesquisa realmente um recrutador

O LinkedIn Recruiter, a ferramenta paga usada por agências e equipas de recrutamento, permite combinar filtros por cargo, localização e competências, pesquisar por palavras-chave com operadores como AND, OR e NOT e filtrar quem indicou estar disponível para novas oportunidades. Também sugere candidatos para cada vaga aberta a partir dos requisitos da função.

A consequência prática é simples: se procuras uma função de «Product Manager» e o teu cargo atual se chama «Responsável de Produto Digital», há pesquisas em que não apareces. O mesmo acontece com a localização (se puseres só «Portugal», escapas a quem filtra por Lisboa) e com as competências (o anúncio diz «Power BI» e tu escreveste «visualização de dados»).

  • Cargo atual e anteriores: o filtro que quase todos usam primeiro.
  • Localização: a cidade ou área onde queres trabalhar.
  • Competências: com o nome exato que aparece nos anúncios.
  • Texto livre do título, do Acerca e da experiência: entra pela pesquisa por palavras-chave.

Na Cernoria vemos assim: o LinkedIn não premeia o perfil mais brilhante, mas o que usa as mesmas palavras de quem pesquisa. Primeiro fala-se a língua dele; depois, demonstra-se.

Uma reflexão da equipa Cernoria

O perfil campo a campo

Esta é a tabela que usamos para rever um perfil. Cada linha é um campo: o que o recrutador procura nele, o que convém escrever e o erro que mais vemos.

O que escrever em cada campo do LinkedIn
CampoO que procura o recrutadorO que escreverErro frequente
TítuloA função que tem de preencherFunção procurada, duas áreas concretas e uma provaDeixar só o cargo e a empresa, ou «à procura de novos desafios»
Cargo de cada funçãoQue coincida com a pesquisaO nome real, esclarecido com o equivalente do mercado se for precisoUm nome interno que ninguém pesquisa, ou um cargo acima
LocalizaçãoSe podes trabalhar onde está a vagaA tua cidade real ou a área onde procurasPôr só o país
AcercaO que fazes, para quem e o que procuras agoraTrês ou quatro parágrafos curtos, com númerosUm parágrafo genérico ou uma lista de palavras-chave colada
ExperiênciaResultados e contexto de cada funçãoTrês ou quatro resultados mensuráveis por funçãoCopiar a descrição de funções
CompetênciasCoincidências com os requisitosAs dos anúncios que te interessam, com o nome exatoDezenas de competências sem ordem, nenhuma em destaque
Open to WorkDisponibilidade e tipo de funçãoCargos, locais e regime de trabalho que aceitarias mesmoMarcar cargos que nada têm a ver entre si
Os nomes dos campos podem variar um pouco conforme o idioma do teu LinkedIn.

O título: a linha que mais trabalha

O título aparece nos resultados de pesquisa, por baixo do teu nome em cada comentário e em cada convite. Se não o mudares, o LinkedIn mostra o teu cargo atual e a empresa, o que quase nunca é o melhor que podes dizer. Aceita até 220 caracteres, mas em muitos ecrãs aparece cortado, por isso o importante vai no início.

Uma fórmula que funciona: a função que procuras, com o nome que os anúncios usam; duas ou três áreas concretas; e uma prova. «Apaixonada», «proativo» ou uma fila de emojis ocupam espaço e não respondem a nenhuma pesquisa.

Um «Acerca» que se lê até ao fim

Do «Acerca» só se veem as primeiras linhas antes do «ver mais». É aí que tem de estar o essencial: o que fazes e para que tipo de empresa, numa frase. Depois, dois ou três resultados com números; a seguir, o que procuras agora; e no fim, como te contactar.

Escreve-o na primeira pessoa e sem floreados. As palavras-chave da função têm de estar lá, mas dentro de frases normais: uma lista de termos colada no fim não convence ninguém que a leia. Por baixo do «Acerca», o LinkedIn permite destacar até cinco competências principais; escolhe as que mais se repetem nos anúncios que te interessam.

Um exemplo antes e depois

A Inês Exemplo é uma pessoa inventada: oito anos em marketing numa cadeia de lojas de mobiliário, também inventada, e agora procura uma função de Marketing Manager em empresas de comércio eletrónico em Lisboa. Nada do que muda na versão depois é novo: estava tudo na experiência dela, contado de outra forma.

Exemplo
Título e «Acerca» da Inês Exemplo

Título antes: «Responsável de Comunicação na Móveis do Norte | Apaixonada por marketing | À procura de novos desafios».

Título depois: «Marketing Manager | E-commerce e aquisição paga | Levei as vendas online de 8 % para 21 % da faturação».

«Acerca» antes: «Profissional dinâmica e orientada para resultados, com vasta experiência no setor e forte espírito de equipa».

«Acerca» depois: «Lidero o marketing digital de uma cadeia de 14 lojas de mobiliário. Em quatro anos levei as vendas online de 8 % para 21 % da faturação, com campanhas em Google Ads e Meta e um orçamento de 10 000 € por mês que giro com uma equipa de três pessoas. Procuro uma função de Marketing Manager em comércio eletrónico em Lisboa. Podes escrever-me por aqui».

Open to Work: quando e como ativar

O Open to Work permite indicar os cargos, os locais, o regime de trabalho e o tipo de contrato que te interessam. Tem dois níveis de visibilidade: Apenas recrutadores, que partilha as tuas preferências com quem usa o LinkedIn Recruiter sem mostrar nada no perfil, ou Todos os membros do LinkedIn, que acrescenta a moldura verde #OpenToWork à tua fotografia.

Segundo o LinkedIn, em 2020 quem usava a moldura pública tinha, em média, mais 40 % de probabilidade de receber mensagens de recrutadores. A moldura divide opiniões entre quem recruta, por isso a decisão depende da tua situação: se estás desempregado, costuma ajudar; se tens emprego, o modo Apenas recrutadores é o mais sensato.

Experiência, competências e recomendações

Cada função com três ou quatro linhas de resultados, não com a descrição do cargo. «Gestão de campanhas» não diz nada; «Redesenhei as campanhas pagas e baixei o custo por contacto em 35 % em seis meses» diz tudo. O LinkedIn é a versão curta e pesquisável; o CV adaptado a cada oferta é a versão longa.

O que nunca convém é que o perfil e o CV se contradigam. Quem recruta costuma olhar para os dois, e uma data ou um cargo diferente gera mais dúvidas do que qualquer pausa explicada.

  • Competências com o mesmo nome que os anúncios usam, e as mais importantes em destaque.
  • Duas ou três recomendações recentes de chefias ou clientes valem mais do que muitas validações de contactos.
  • O perfil no idioma do mercado a que te candidatas; o LinkedIn permite acrescentar uma versão noutro idioma.

Uma revisão em meia hora

Se só tens um bocado, esta é a ordem que mais rende, do maior para o menor impacto nas pesquisas.

  1. Junta três anúncios que te interessem

    Aponta o cargo e as competências que se repetem nos três. São essas as tuas palavras.

  2. Reescreve o título

    Função procurada, duas áreas e uma prova, com as palavras desses anúncios.

  3. Revê cargos e localização

    Esclarece cargos internos com o equivalente do mercado e põe a tua cidade real.

  4. Organiza as competências

    Acrescenta as que faltam e que tens mesmo, e destaca as cinco mais pedidas.

  5. Ajusta o «Acerca» e o Open to Work

    Primeira frase com o que fazes e para quem; Open to Work com os cargos e locais que aceitas.

Perguntas frequentes

Convém ativar o Open to Work?

Se estás à procura, sim. O modo Apenas recrutadores não se vê no perfil e coloca-te num filtro que os recrutadores usam. A moldura verde pública é opcional: costuma ajudar se estás desempregado e divide opiniões se tens emprego.

O perfil tem de estar em inglês?

Depende do mercado. Para empresas portuguesas, em português; para multinacionais, em inglês. O LinkedIn permite ter o perfil em mais de um idioma e mostra cada versão conforme quem o vê.

Que tamanho deve ter o título?

O LinkedIn aceita até 220 caracteres, mas em muitos ecrãs aparece cortado. Põe a função que procuras no início e deixa o resto para as áreas e a prova.

Publicar conteúdo ajuda a ser contratado?

Ajuda a que se lembrem de ti, mas não substitui o básico. Um perfil com o cargo, a localização e as competências certas aparece em mais pesquisas do que um muito ativo com campos vazios.

Posso pôr um cargo diferente do que diz o meu contrato?

Podes esclarecer o nome com o equivalente do mercado, por exemplo «Responsável de Produto Digital (Product Manager)», desde que descreva o que fazes. Atribuir-te um cargo acima é um risco: as referências detetam-no.

Fontes

  1. LinkedIn, «The benefits of sharing with your community you're open to work» (2020)
  2. LinkedIn Talent Solutions, funcionalidades do LinkedIn Recruiter

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